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O Luto Materno

O Caminho Doloroso da Perda e o Acolhimento Necessário

A dor do luto é um dos sentimentos mais universais e profundos que podemos experienciar enquanto seres humanos. Porém, o luto materno, a perda de um filho, é uma dor que ultrapassa as fronteiras do entendimento e da imaginação. Para muitas mulheres, a experiência de perder um filho – seja ele ainda na gestação, em sua infância ou em qualquer fase da vida – não pode ser comparada a nenhuma outra dor. A relação entre mãe e filho é profundamente enraizada no instinto, no amor incondicional e na expectativa do futuro, que se vê abruptamente interrompido pela morte.

As etapas do luto, conforme elucidadas por Elisabeth Kübler-Ross, são bem conhecidas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Mas para a mãe enlutada, essas fases podem não seguir uma linha reta. Muitas vezes, essas etapas se entrelaçam, se repetem, se dissolvem e voltam de maneiras imprevisíveis.

A negação pode ser a primeira reação, um mecanismo de defesa que impede que a realidade da perda seja completamente absorvida. Segue-se a raiva, que pode ser direcionada para o universo, para Deus, para si mesma ou até para a memória do filho perdido. A barganha, por sua vez, reflete a tentativa de negociar com o destino, uma busca desesperada por um modo de reverter a perda. A depressão, muitas vezes, emerge com uma intensidade avassaladora, com um peso que sufoca e impede a mãe de ver qualquer perspectiva de vida. Por fim, a aceitação, que nem sempre chega, pode ser uma construção muito longa ou talvez uma aceitação parcial, onde a mãe aprende a viver com a ausência, sem jamais esquecer a presença que foi.

O luto materno é vivido em muitas camadas emocionais e físicas, frequentemente incompreendidas por quem ainda não passou por essa experiência. Entretanto, o que muitas mães enlutadas não sabem é que há outras mulheres, outras mães, que, mesmo sem conhecer sua dor específica, têm a capacidade de se comover e se solidarizar. O acolhimento que vem de outra mãe é profundamente reconfortante, pois há uma linguagem não verbal que transcende qualquer palavra. Não é preciso explicar a dor, porque ela é entendida na essência.

O papel da sociedade, dos amigos e da família ao lidar com uma mãe enlutada é, sem dúvida, o de escutar sem pressa de dar conselhos ou buscar soluções rápidas. Às vezes, o maior conforto que se pode oferecer é a presença silenciosa, o ombro amigo, a disponibilidade de estar ali para o que quer que ela precise, seja para falar, chorar ou simplesmente ficar em silêncio.

A dor do luto materno é singular, mas não precisa ser solitária. O melhor a fazer é criar um espaço seguro onde a mãe possa expressar sua dor sem julgamentos, sem pressa de curar. Às vezes, o mais valioso é permitir que ela passe por seu processo sem a imposição de expectativas sobre como ou quando deve “superar” a perda.

Bruna Voese Caponi.
Graduanda em Teologia, Psicologia pela Ulbra, Filosofia Unisinos.

Redação - Jornal do Povo

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